Vídeos mostram paciente com bebê no colo sendo abanada para suportar o calor; relatos apontam problemas na climatização de enfermarias da maternidade estadual
MANAUS — Imagens registradas no Instituto da Mulher Dona Lindu, em Manaus, voltaram a colocar as condições de atendimento da rede estadual de saúde no centro das críticas. Um vídeo divulgado nas redes mostra uma mulher no pós-parto com o filho recém-nascido no colo enquanto outra pessoa tenta aliviar o calor abanando mãe e bebê.
O problema não aparece apenas no vídeo. Em 4 de setembro, mães e acompanhantes já haviam relatado calor excessivo em uma enfermaria após falha no sistema de ar-condicionado. Segundo esses relatos, ventiladores chegaram a ser disponibilizados, mas não teriam sido suficientes para amenizar a temperatura.
Uma profissional de enfermagem ouvida posteriormente por um portal local, sob condição de anonimato, afirmou que áreas destinadas às mulheres no pós-parto estariam enfrentando problemas de climatização há mais de seis meses e que algumas famílias passaram a levar ventiladores de casa. Essa duração, porém, é uma alegação da fonte e não foi confirmada nos documentos oficiais consultados.
A situação contrasta com a própria missão institucional divulgada pelo Dona Lindu. A Secretaria de Estado de Saúde apresenta a unidade como referência materno-infantil e afirma que sua missão é garantir atendimento “humanizado e qualificado” às mulheres durante a gestação e o puerpério e também aos recém-nascidos. O hospital funciona 24 horas e oferece, entre outros serviços, obstetrícia, neonatologia e UTI neonatal.
Cobrança ao Governo do Amazonas
Por se tratar de uma maternidade estadual, as denúncias levantam questionamentos sobre manutenção, infraestrutura e condições oferecidas às pacientes e aos bebês. O episódio ocorre em meio ao debate eleitoral no Amazonas, no qual a gestão estadual e seus aliados também apresentam realizações e propostas para a saúde pública.
As imagens, por si só, não permitem atribuir responsabilidade individual a Roberto Cidade ou afirmar que ele tenha administrado a maternidade. O que está documentado nas fontes consultadas é a existência de denúncias recentes sobre falta de climatização no Dona Lindu e o fato de a unidade integrar a rede estadual de saúde.
Para as famílias que aparecem enfrentando o calor, porém, a discussão é imediata: trata-se das condições oferecidas a mulheres que acabaram de dar à luz e a crianças nos primeiros dias de vida.
A Ouvidoria do próprio Instituto Dona Lindu disponibiliza canais para reclamações e denúncias, enquanto a SES-AM mantém informações públicas sobre a unidade.