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Leia no BNC: Você sabia disso, eleitor?

Antes de votar em Flávio Bolsonaro, talvez seja necessário fazer uma pergunta simples: você sabe exatamente quais políticas está ajudando…

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Leia no BNC: Você sabia disso, eleitor?


Antes de votar em Flávio Bolsonaro, talvez seja necessário fazer uma pergunta simples: você sabe exatamente quais políticas está ajudando a trazer de volta?

A pergunta não é gratuita. Flávio Bolsonaro reivindica politicamente o legado do governo de Jair Bolsonaro. Portanto, quem pretende avaliar essa continuidade precisa também olhar para aquilo que aconteceu no período mais dramático daquele governo: a pandemia de covid-19.

E existe um número que não pode ser apagado da história: o Brasil ultrapassou 700 mil mortes por Covid-19 e terminou como o segundo país do mundo em número absoluto de mortes, atrás apenas dos Estados Unidos.

Esse resultado não pode ser separado da maneira como o governo federal enfrentou a pandemia. Houve demora na contratação de vacinas, sucessivas trocas no comando do Ministério da Saúde, conflitos públicos em torno das medidas de prevenção e promoção de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19. Não são interpretações inventadas depois da tragédia. São fatos documentados daquele período e precisam fazer parte do julgamento histórico sobre a condução da crise sanitária.

Governo Bolsonaro e pandemia

Comecemos pelas vacinas.

Na CPI da Pandemia, o gerente geral da Pfizer para a América Latina declarou que a empresa ofereceu ao governo brasileiro 70 milhões de doses ainda em agosto de 2020. O primeiro contrato com a Pfizer, entretanto, somente seria fechado em março de 2021.

Em uma pandemia, tempo não é apenas dinheiro. Tempo significa vidas. Houve também uma impressionante instabilidade no comando do Ministério da Saúde. Durante a pandemia, passaram pela pasta quatro ministros: Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga.

Mandetta deixou o governo após divergências com Bolsonaro sobre as medidas de enfrentamento à pandemia. Nelson Teich permaneceu aproximadamente um mês no cargo. Depois veio Eduardo Pazuello, que permaneceu até março de 2021, sendo sucedido por Marcelo Queiroga.

Enquanto isso, o país assistia a conflitos sobre distanciamento social, máscaras, vacinação e tratamentos sem eficácia comprovada. A autoridade sanitária nacional, que deveria funcionar como referência técnica para mais de 200 milhões de brasileiros, atravessava sucessivas mudanças justamente quando estabilidade, planejamento e coordenação eram fundamentais.

Manaus e a memória da tragédia sanitária

E Manaus sabe melhor do que muitas cidades brasileiras o significado daquela tragédia. Aqui vivemos o colapso hospitalar, famílias desesperadas e uma crise de oxigênio que jamais deveria desaparecer de nossa memória coletiva. Por isso, quando alguém afirma que pretende representar a continuidade política daquele governo, o eleitor tem todo o direito de perguntar o que exatamente significa essa continuidade.

Não se trata de transferir automaticamente ao eleitor a responsabilidade pelas mais de 700 mil mortes. Trata-se de perguntar se ele conhece o histórico das políticas que pretende apoiar novamente. Você conhece esse passado?

Sabe que o Brasil terminou em segundo lugar no mundo em número absoluto de mortes por Covid-19? Sabe das ofertas de vacinas que demoraram meses para resultar em contrato? Sabe que quatro ministros comandaram a Saúde durante aquele período? Lembra do que aconteceu em Manaus?

Se conhece tudo isso e ainda pretende apoiar a retomada daquele projeto político, então existe uma pergunta que não pode ser evitada: quais políticas daquele governo você está disposto a ver repetidas? Porque votar também significa escolher políticas públicas. E, quando a história já mostrou suas consequências, ninguém deveria votar sem saber exatamente aquilo que está escolhendo.

Pior ainda: conhecendo o que aconteceu e escolhendo conscientemente a repetição dessas mesmas políticas, você poderá tornar-se cúmplice político de suas consequências se novas tragédias, novas epidemias ou novas emergências sanitárias forem tratadas da mesma forma. Depois de mais de 700 mil mortos, ninguém poderá dizer que não sabia.

O autor é Professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutorando em Ciências Empresariais e Sociais pela Universidade de Ciências Empresariais e Sociais (UCES), Argentina*.

Foto: Divulgação/imagem gerada por IA.



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