Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar querem governar o Brasil. Antes de entregar a esses dois homens o comando de um país com mais de 200 milhões de habitantes, porém, o eleitor tem o direito de perguntar quem são eles, o que fizeram com o poder que já receberam, como construíram suas trajetórias e que resultados concretos entregaram à sociedade.
A pergunta é particularmente pertinente no caso de Flávio Bolsonaro. Aos 45 anos, ele passou praticamente toda a vida adulta na política. Elegeu-se deputado estadual no Rio de Janeiro pela primeira vez em 2002, cumpriu quatro mandatos consecutivos e chegou ao Senado em 2019. São mais de duas décadas ocupando cargos eletivos.
É justamente essa longa passagem pelo setor público que torna sua trajetória política, financeira e patrimonial assunto de interesse público.
As “rachadinhas” e as perguntas que permaneceram
Um dos episódios mais conhecidos dessa trajetória foi a investigação das chamadas “rachadinhas” em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
O Ministério Público investigou a suspeita de devolução de parte dos salários de assessores e denunciou Flávio por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita. O mérito dessas acusações nunca chegou a ser julgado. Decisões judiciais anularam provas, e a investigação terminou sem uma sentença sobre os fatos originalmente investigados.
O caso, entretanto, voltou ao noticiário. Em setembro, o grupo Prerrogativas protocolou pedido para que o Ministério Público do Rio reabra a investigação, apresentando como fato novo informações sobre um cofre bancário mantido por Flávio. Documentos citados na petição indicam que ele teria acessado o cofre em 26 de novembro de 2012, um dia antes da compra de dois imóveis em Copacabana, numa operação que já havia despertado a atenção dos investigadores.
Até agora, trata-se de pedido de reabertura, e não de investigação formalmente reaberta. Mas as operações imobiliárias são um capítulo à parte.
Vinte transações imobiliárias em 16 anos
Quando comprou sua mansão em Brasília, em 2021, Flávio chegava à 20ª transação imobiliária em 16 anos. Na investigação das “rachadinhas”, o Ministério Público examinou intensamente essa movimentação. Entre 2007 e 2009, Flávio comprou 12 salas comerciais na Barra da Tijuca. A operação, de R$ 297 mil, foi quase integralmente paga em dinheiro vivo.
No período entre 2010 e 2014, quando Flávio e sua mulher exerciam atividades vinculadas ao setor público e não possuíam fonte declarada de renda em espécie, a Procuradoria identificou aproximadamente R$ 977 mil em gastos cuja origem não conseguiu comprovar.
Também foram encontrados depósitos em espécie próximos às datas de pagamentos relacionados a imóveis. Numa das operações, Fabrício Queiroz depositou R$ 25 mil em dinheiro vivo na conta da mulher de Flávio poucos dias antes do pagamento da entrada de um imóvel. Antes da parcela seguinte, apareceu outro crédito em espécie de R$ 20 mil.
Em outra transação, envolvendo dois apartamentos em Copacabana, o Ministério Público apontou suspeita de lavagem de aproximadamente R$ 638 mil.
Essas suspeitas integraram investigações cujas provas posteriormente foram anuladas. Portanto, não houve condenação criminal decorrente delas. Mas as operações e os questionamentos patrimoniais estão documentados.
A loja de chocolates
A franquia da Kopenhagen da qual Flávio foi sócio também entrou na investigação. Entre 2015 e 2018, a administração do shopping Via Parque registrou aproximadamente R$ 4,9 milhões em faturamento da loja. A conta bancária da empresa, entretanto, recebeu cerca de R$ 6,5 milhões.
A diferença de aproximadamente R$ 1,6 milhão despertou a suspeita dos investigadores de que a receita teria sido inflada para permitir lavagem de dinheiro.
Outro detalhe chamou a atenção. Nas demais lojas da mesma rede, a proporção entre vendas com cartão e dinheiro seguia determinado padrão. Na loja de Flávio, os depósitos em espécie eram proporcionalmente maiores. Na Páscoa, quando as vendas de chocolate aumentavam, as operações com cartão subiam como esperado, mas o dinheiro vivo mantinha comportamento diferente. A suspeita relativa à loja não chegou a produzir condenação.
Adriano da Nóbrega: homenagem e empregos no gabinete
Outro capítulo envolve Adriano da Nóbrega, ex-policial militar apontado pelo Ministério Público como integrante da milícia de Rio das Pedras e do Escritório do Crime.
Flávio propôs que Adriano recebesse a Medalha Tiradentes, maior honraria da Alerj. Em 2005, Flávio e Jair Bolsonaro chegaram a visitá-lo na prisão para entregar a homenagem.
A relação alcançou o gabinete parlamentar. A mãe e a mulher de Adriano foram empregadas por Flávio na Assembleia Legislativa. Segundo os investigadores, Danielle Nóbrega repassou pelo menos R$ 150 mil a Fabrício Queiroz, sendo R$ 115 mil movimentados por intermédio de contas controladas por Adriano.
Um condenado no caso Marielle e R$ 199 mil
Em 2023, uma assessora de Flávio negociou a liberação de recursos de emenda parlamentar com Robson Calixto, conhecido como Peixe.
Peixe foi posteriormente condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e de Anderson Gomes.
A emenda indicada por Flávio destinou R$ 199 mil a um projeto de futebol do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, no Rio de Janeiro.
A Polícia Federal apontou indícios de desvios na aplicação dos recursos. Isso não demonstra que Flávio tenha participado de eventual desvio, mas documenta quem participou das tratativas para a destinação da verba.
R$ 364 milhões em emendas
E esse episódio representa apenas uma pequena parcela do dinheiro público indicado por Flávio. Levantamento realizado com informações do Siga Brasil encontrou aproximadamente R$ 364 milhões em emendas indicadas pelo senador desde que assumiu o mandato. Uma investigação publicada agora, em 1º de outubro, rastreou beneficiários dos recursos e encontrou situações que merecem atenção.
Emenda de Flávio destinada à saúde de Mesquita terminou financiando R$ 666 mil ao Instituto de Medicina e Projeto, posteriormente classificado pela Receita Federal como “inexistente de fato” e investigado pelo Tribunal de Contas do Rio por suspeitas de irregularidades. Recursos provenientes de suas emendas também foram utilizados para pagar empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeita de cartel em licitações de equipamentos balísticos.
Outra emenda, de aproximadamente R$ 4 milhões, destinada a projeto esportivo relacionado ao Vasco, entrou na mira da Controladoria-Geral da União. Cerca de 93% do dinheiro acabou sendo pago a uma microempresa que despertou suspeitas dos órgãos de controle.
A mesma investigação encontrou ainda R$ 6,61 milhões destinados a uma empresa que empregou recursos em obras realizadas em propriedade de um amigo de Flávio.
A indicação parlamentar da verba não significa participação automática do senador em irregularidades cometidas posteriormente por executores, prefeituras, organizações ou empresas. Mas, diante de R$ 364 milhões em recursos indicados, cabe perguntar quais critérios foram empregados na escolha dos destinos e como o gabinete fiscalizou a aplicação desse dinheiro.
Uma mansão de R$ 6 milhões financiada por 30 anos e quitada em três
A evolução patrimonial de Flávio também merece exame. Em 2018, quando concorreu ao Senado, declarou patrimônio de aproximadamente R$ 1,74 milhão. Corrigido pela inflação, o valor equivale a cerca de R$ 2,63 milhões. Na eleição de 2026, declarou R$ 8,18 milhões. O crescimento real calculado no período foi de aproximadamente 211%.
O principal patrimônio declarado é uma mansão no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, em Brasília. O imóvel possui aproximadamente 1.100 metros quadrados de área construída em terreno de 2.500 metros quadrados.
Flávio adquiriu a propriedade em janeiro de 2021 por cerca de R$ 6 milhões. Para realizar a compra, contratou no BRB financiamento de aproximadamente R$ 3,1 milhões, previsto para ser pago em 360 meses, 30 anos.
Os 30 anos transformaram-se em três. Além das parcelas mensais, Flávio realizou seis amortizações extraordinárias, variando aproximadamente entre R$ 198 mil e R$ 997 mil. Somadas, alcançaram cerca de R$ 3,4 milhões. Em março de 2024, o financiamento estava quitado. A mansão, portanto, comprada em 2021 mediante financiamento de três décadas, estava integralmente quitada três anos depois.
De onde veio o dinheiro?
A documentação apresentada ao próprio BRB acrescenta uma informação importante.
Quando solicitou o financiamento, Flávio informou renda mensal de aproximadamente R$ 56,8 mil. Desse total, cerca de R$ 24,9 mil vinham do salário parlamentar, R$ 3,4 mil de aplicações financeiras e aproximadamente R$ 28,5 mil da loja de chocolates. Ou seja, praticamente metade da renda apresentada ao banco para justificar a operação vinha justamente do empreendimento que havia despertado suspeitas dos investigadores do caso das “rachadinhas”.
Na documentação utilizada naquela ocasião, não apareceu renda proveniente da advocacia. Três meses depois da aquisição da mansão, em abril de 2021, Flávio abriu CNPJ para seu escritório individual de advocacia, utilizando como endereço justamente a residência recém adquirida.
Por isso, existe uma pergunta de interesse público que não pode ser confundida com acusação criminal: quais fontes de renda explicam a evolução patrimonial de R$ 1,74 milhão para R$ 8,18 milhões e, particularmente, a disponibilidade de aproximadamente R$ 3,4 milhões para amortizar extraordinariamente em três anos um financiamento contratado para durar 30?
O escritório, R$ 500 mil e o Banco Master
Em 2026, o escritório de Flávio voltou ao noticiário.
Foram localizadas três notas fiscais de R$ 500 mil cada emitidas para empresas relacionadas ao universo empresarial que operou com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Duas foram canceladas. Uma nota de R$ 500 mil, emitida para a Contábil Correa sob a descrição de serviços advocatícios, não constava como cancelada na documentação analisada.
A empresa estava ligada empresarialmente a uma consultoria que operou com o Banco Master.
É o mesmo universo empresarial que posteriormente aparece em Dark Horse.
O escritório e o “Careca do INSS”
Outra conexão apareceu nos documentos fiscais.
O escritório de Flávio utiliza os serviços da mesma empresa de contabilidade utilizada por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, personagem central das investigações sobre descontos irregulares de aposentados e pensionistas.
Há ainda uma relação pessoal indireta: a administradora do escritório de Flávio é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, apontado durante a CPMI do INSS como sócio do Careca.
Essas relações não demonstram que Flávio tenha participado das fraudes do INSS. Demonstram, entretanto, conexões documentadas entre seu escritório e pessoas ou prestadores encontrados no entorno de personagens investigados no caso.
Do “nunca tive contato” ao Banco Master
O relacionamento com Daniel Vorcaro adquiriu dimensão muito maior no financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.
Quando seu telefone apareceu na agenda de Vorcaro, Flávio afirmou publicamente não ter mantido contato com o banqueiro. Depois, quando surgiu a informação sobre dinheiro de Vorcaro no filme, classificou a história como mentira.
Vieram então mensagens, gravações e documentos. A Polícia Federal passou a descrever Flávio como “interlocutor direto” de Vorcaro nas negociações.
O financiamento negociado chegava a US$ 24 milhões. A investigação atualmente em curso aponta R$ 61 milhões efetivamente repassados por Vorcaro para custear a produção, supostamente a pedido de Flávio. Em mensagens reveladas posteriormente, Flávio tratava Vorcaro como “irmão”.
O jatinho
Algo semelhante ocorreu com uma aeronave. Flávio declarou publicamente que nunca havia entrado em avião de Vorcaro. Posteriormente, registros mostraram que ele, sua mulher e suas filhas viajaram dos Estados Unidos para Brasília em um Legacy 650 ligado empresarialmente ao círculo de Vorcaro.
O voo aconteceu justamente durante o período das negociações relacionadas ao filme. Mais uma vez, basta colocar a declaração pública ao lado dos registros posteriormente encontrados.
Agora, Flávio é investigado no STF. Esse conjunto ganhou outra dimensão porque Flávio Bolsonaro é atualmente investigado formalmente pelo Supremo Tribunal Federal.
O ministro André Mendonça determinou a abertura do inquérito a pedido da Polícia Federal e com aval da Procuradoria-Geral da República. O pedido da PF registra expressamente a apuração da possível prática de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos no contexto do financiamento de Dark Horse junto ao Banco Master.
Não há condenação nesses fatos. Há uma investigação criminal formal no Supremo envolvendo um candidato à Presidência da República e dezenas de milhões de reais.
A “PEC das Praias” e Angra dos Reis
Outro episódio da trajetória de Flávio foi a PEC 3/2022, da qual se tornou relator no Senado e que ficou conhecida no debate público como “PEC das Praias”.
A proposta permite a transferência de terrenos de marinha hoje pertencentes à União para estados, municípios e particulares. Seus críticos alertaram para o risco de ampliação do controle privado de áreas costeiras e de dificuldades de acesso público às praias.
Separadamente, o nome de Flávio apareceu numa disputa envolvendo uma mansão avaliada em aproximadamente R$ 10 milhões em Angra dos Reis e empresas relacionadas ao advogado Willer Tomaz, seu amigo.
Flávio não era parte daquela disputa judicial, mas foi arrolado como testemunha e visitou o imóvel. Em 2026, voltou ao tema do litoral defendendo mudanças destinadas a facilitar licenciamentos de resorts e grandes empreendimentos em Angra, Mangaratiba e Paraty. Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que mudanças dessa natureza poderiam beneficiar propriedades de Willer Tomaz.
São episódios distintos, mas ambos envolvem a utilização e ocupação econômica de áreas valorizadas do litoral brasileiro.
Garotas de programa, festas e um Rolex de R$ 305 mil
Nos últimos dias surgiu outro conjunto de documentos. Mensagens, fotografias e arquivos mantidos por Alexandre Santini, antigo amigo e ex-sócio de Flávio na loja de chocolates, foram publicados pelo PlatôBR e reproduzidos por outros veículos.
Segundo essa investigação jornalística, o material indica a participação de Flávio em festas privadas com garotas de programa.
Os arquivos também contêm documentos relacionados a um Rolex Submariner de ouro branco avaliado em aproximadamente R$ 305 mil e equipamentos de academia de mais de R$ 90 mil, além de outras despesas pessoais que teriam sido pagas por terceiros.
Esses episódios são revelações jornalísticas recentes e não fatos estabelecidos por decisão judicial. Parte do material ainda carece de confirmação independente. Por isso, é necessário apresentá-lo exatamente nesse estágio.
E o que Flávio produziu no Senado?
Depois desse extenso histórico financeiro, patrimonial e político, permanece uma pergunta elementar: o que Flávio Bolsonaro realizou com o mandato que o eleitor já lhe concedeu?
Levantamento publicado em maio encontrou 62 propostas apresentadas por Flávio como autor principal em mais de sete anos no Senado. Apenas duas haviam sido aprovadas pela Casa e nenhuma havia se transformado em lei.
Nem mesmo na segurança pública, apresentada durante anos como uma de suas principais bandeiras, havia naquele levantamento projeto de sua autoria principal convertido em lei.
Agora ele apresenta um plano de governo presidencial. Mas o eleitor pode comparar aquilo que é prometido para o futuro com aquilo que foi produzido durante mais de duas décadas de vida política.
Patriotismo, tarifas e soberania
Existe ainda a questão da soberania nacional.
A família Bolsonaro construiu grande parte de seu discurso político recorrendo às palavras “Brasil”, “pátria” e “patriotismo”. Eduardo Bolsonaro, entretanto, atuou politicamente nos Estados Unidos durante o período em que Washington aumentou a pressão econômica sobre o Brasil.
Posteriormente, o próprio Flávio apresentou ao USTR, órgão comercial do governo americano, um documento argumentando que a imposição de uma tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros poderia proporcionar uma “vitória política” ao governo Lula.
E pediu que a decisão americana fosse adiada até depois da eleição presidencial brasileira. Até o Pix entrou na negociação. No documento apresentado aos americanos, Flávio propôs uma legislação que proibiria a interconexão do sistema brasileiro com “arranjos não ocidentais de liquidação transfronteiriça”, numa referência à China.
O Brasil tem justamente na China seu maior parceiro comercial. A questão institucional é evidente: até que ponto decisões estratégicas sobre comércio exterior e infraestrutura financeira brasileira devem ser discutidas com uma potência estrangeira levando em consideração seus efeitos sobre uma eleição presidencial no Brasil?
E Alfredo Gaspar?
Ao lado de Flávio está Alfredo Gaspar, deputado federal por Alagoas desde 2023, ex-integrante do Ministério Público e ex-secretário estadual de Segurança Pública.
Sobre Gaspar existe uma acusação gravíssima de estupro de vulnerável. Ela não foi comprovada judicialmente, teve versões contraditórias do denunciante e a Justiça Eleitoral já impediu que fosse apresentada como fato consumado. Não existe, portanto, base factual para afirmar que Gaspar tenha cometido o crime.
Sua produção parlamentar é diferente da de Flávio. Levantamento publicado em agosto encontrou 68 projetos apresentados, oito aprovados pela Câmara e três transformados em lei. O eleitor pode examinar essa produção e compará-la com aquilo que a chapa promete executar em escala nacional.
Quem são os homens que querem governar o Brasil?
Não é necessário acrescentar adjetivos. A sequência dos fatos já produz perguntas suficientes.
Flávio Bolsonaro passou praticamente toda a vida adulta na política. Realizou 20 transações imobiliárias em 16 anos. Seu patrimônio declarado passou de R$ 1,74 milhão em 2018 para R$ 8,18 milhões em 2026. Comprou uma mansão de aproximadamente R$ 6 milhões, financiou R$ 3,1 milhões em 30 anos e quitou a dívida em apenas três mediante amortizações extraordinárias milionárias.
Sua antiga loja de chocolates foi investigada sob suspeita de lavagem de R$ 1,6 milhão. Seu antigo gabinete empregou a mãe e a mulher de Adriano da Nóbrega, a quem ele concedeu a Medalha Tiradentes. Uma assessora negociou emenda de R$ 199 mil com Robson Calixto, posteriormente condenado no processo relacionado ao assassinato de Marielle Franco.
Desde que chegou ao Senado, aproximadamente R$ 364 milhões em emendas foram indicados por Flávio, e parte dos recursos rastreados terminou em entidades e empresas posteriormente investigadas ou questionadas por Receita Federal, CGU, TCE e Polícia Federal. Seu escritório de advocacia recebeu R$ 500 mil de empresa ligada a uma consultoria que operou com o Banco Master e utiliza a mesma empresa de contabilidade do chamado Careca do INSS.
Caso Dark Horse
No caso Dark Horse, documentos posteriormente revelados mostraram uma relação com Daniel Vorcaro muito mais extensa do que indicavam suas primeiras declarações públicas.
Hoje, Flávio é formalmente investigado no STF por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos. E depois de mais de sete anos no Senado, o levantamento de sua produção como autor principal encontrou 62 propostas, apenas duas aprovadas pela Casa e nenhuma transformada em lei até aquele momento.
Agora ele pede algo incomparavelmente maior: a Presidência da República. Por isso, antes de perguntar apenas o que Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar prometem fazer no futuro, o eleitor dispõe de elementos concretos para examinar aquilo que já fizeram no passado.
Como utilizaram os mandatos que receberam? Como construíram seus patrimônios? Que resultados produziram? Como escolheram o destino do dinheiro público sob sua influência? Que relações estabeleceram ao longo da vida política? E que concepção de soberania nacional demonstraram quando interesses eleitorais brasileiros chegaram à mesa de negociação de uma potência estrangeira?
São perguntas que podem ser respondidas com documentos, investigações, registros públicos e resultados parlamentares. E são esses fatos que permitem a cada eleitor responder à pergunta que dá título a este artigo: quem são os homens que querem governar o Brasil?
O autor é Professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutorando em Ciências Empresariais e Sociais pela Universidade de Ciências Empresariais e Sociais (UCES), Argentina*.
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