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Eleições 2026: a luta contra o tecnofeudalismo

[ad_1] Algo maior está envolvido na corrida eleitoral de 2026, haja vista, uma mutação cultural seguir em curso. As classes…

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Eleições 2026: a luta contra o tecnofeudalismo

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Algo maior está envolvido na corrida eleitoral de 2026, haja vista, uma mutação cultural seguir em curso. As classes dominantes compreenderam que para manter a sua hegemonia era essencial promover o desrespeito pelas instituições. Tal perspectiva passa pelo fomento à corrida desesperada pelo ganho pessoal, em detrimento da luta coletiva. Na verdade, a intenção é desenvolver uma atmosfera de idiossubjetividade, na qual as pessoas são incapazes de compreender – e tampouco de lutar contra – cenários desfavoráveis a si mesmas.

Nessa perspectiva, naturalizar ataques contra os próprios direitos, e, mais ainda, lutar para que tais afrontas ganhem legitimidade e expansão para capturar os direitos de outros grupos, tornou-se comum na sociedade brasileira. Cidadania e equidade para populações socialmente minoritárias, a exemplo das travestis e mulheres trans, são o alvo da agenda reacionária.

Os mecanismos de poder para implementar regimes de exceção não passam necessariamente pela ocupação militar, mas, primeiro, por táticas sutis e sofisticadas: as plataformas digitais, base do tecnofeudalismo. Nelas, encontramos os cloudalistas, Senhores da Nuvem, donos do cloud capital, o capital da nuvem, utilizando servidores, data centers, Big Techs, e IA para extrair renda de quem utiliza a internet.

A burguesia do extinto capitalismo foi submetida aos interesses dos cloudalistas. Apesar de possuir empresas, seus donos estão à mercê das plataformas digitais; se quiserem anunciar tudo o que produzem, são obrigados a pagar aos cloudalistas, estabelecendo uma relação de vassalagem. Esta perversa estrutura explora os servos da nuvem (cloud serfs) – usuários que geram dados de graça ao se conectar com as redes – e os proletários da nuvem (cloud proles), os escravizados por aplicativos de transporte e entrega.

O poder dos Senhores da Nuvem

A Grande Crise de 2008 mostrou aos cloudalistas que capturar a força de trabalho já não fazia sentido aos seus interesses: seria melhor extrair renda gratuitamente, partindo dos desejos expressos pelos dados dos servos da nuvem. Somos todos fornecedores de conhecimento para os cloudalistas, os quais nos exploram controlando megaecossistemas digitais, acessando nossas informações e substituindo lucro por renda.

A nossa própria maneira de consumir está sendo monitorada através de instrumentos que personalizam preços e ofertas. Os Surveillance Pricing (Preços de Vigilância) operam com o uso de algoritmos destinados a disponibilizar ofertas, a partir da observação exploratória do comportamento dos consumidores. Isso demonstra que já não estamos em uma sociedade capitalista, em termos absolutos.

O tecnofeudalismo se aproveitou do crítico estado de coisas do capital financeiro para se tornar o sistema dominante, contra o qual a social-democracia pouco pode fazer.

Essa intrincada dinâmica envolve a principal democracia do Sul Global. O Brasil tem resistido a ondas de ataques fascistas como não eram vistas desde a Segunda Grande Guerra. Perguntamos, contudo, até que ponto nosso país terá condições de estar na vanguarda da democracia, sendo alvo dos Estados Unidos (EUA) em uma Segunda Guerra Fria, desta feita contra a China.

O capital de nuvem não tem fronteiras; ele avança sobre democracias, multiplicando discursos de ódios, a partir de engajamentos. Ele contribui para arruinar as democracias, substituindo-as por corporações que oferecem dominação como o mais suave perfume.

Eleições 2026 e soberania digital

Ele promove também desinformação e retrocesso através de influenciadores e a parcela ultraconservadora da classe política, em lugar de dar visibilidade à ciência: há poucos dias, após o imunologista Anthony Fauci ficar em silêncio, durante audiência no Senado dos EUA, bolsonaristas como Nikolas Ferreira (PL-MG) abriram a fossa nas redes: postagens antivacina engajaram mais de 37 milhões no seu perfil do Instagram. Aqui, compreendemos uma das principais dinâmicas do tecnofeudalismo: o algoritmo impulsiona a repercussão de mentiras e a viralização do conteúdo passa a ser mais valiosa do que pesquisas científicas, em revistas renomadas, como Nature e Science.

Nessas eleições, mais uma vez, a democracia brasileira passará por um novo teste: a manutenção da soberania nacional, que passa pela defesa da soberania digital. Isso porque a extrema-direita se aliou ao tecnofeudalismo e utiliza das suas artimanhas tecnológicas para ganhar votos.

A luta política passa, portanto, pelo projeto de regulamentar as redes e o uso da IA: distinguir liberdade de expressão e discursos odiosos-mentirosos, fomentar consciência crítica e obrigar aplicativos como o Instagram a desenvolver conteúdos focados em educação, ciência e tecnologia são compromissos fundamentais.

Lutar pela continuidade da democracia também aponta para a utilização das ferramentas da nuvem para neutralizar a opressão dos seus Senhores. Instituir uma coligação proletários-servos-vassalos cloud possibilita desde boicotes e greves de pagamentos a empresas cloudalistas, até a implementação do Cosmos, unidade financeira capaz de abrir caminho para a democratização do dinheiro em escala global.

Em termos simples, tais ações podem revolucionar as sociais-democracias, tornando-as tecnodemocracias capazes de desmantelar um sistema pautado pelo uso da tecnologia enquanto ferramenta institucional de servidão contemporânea.

O autor é Psicólogo (CRP-03/20912), Mestre em Psicologia e Especialista em Gênero e Sexualidade.*

Foto: Divulgação/imagem gerada por IA.

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