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O Cine Super K, localizado na Avenida Capitão Ene Garcez, no centro de Boa Vista, Roraima, é, atualmente, o único cinema de rua em atividade entre as capitais da região norte do país.
O Super K foi inaugurado em 1979 pelo empresário João Miguel Kimak. Mais do que um empreendimento, representa a concretização de um sonho de infância que resiste à presença das grandes redes de cinema instaladas nos shopping centers da cidade.
Bilheteria
A experiência de ir a um cinema de rua é nostalgia pura. No Cine Super K, é possível comprar ingressos pela internet. Ainda assim, a bilheteria física permanece acessível diretamente pela calçada, onde comumente se forma uma fila próximo ao horário de início das sessões.
Ao lado, é possível ver os cartazes dos filmes “em cartaz”.


Catraca
Com o bilhete em mãos, entra-se na fila que se forma na calçada para acessar o cinema. Um porteiro recebe o ingresso em frente à catraca que dá acesso ao interior do prédio.
No salão interno, há pelo menos mais três filas para a compra e retirada de pipoca, guloseimas e refrigerantes.
Lanterninha
Nas salas, a experiência retrô só não é completa pela ausência do tradicional “lanterninha”, figura marcante dos cinemas do século passado que, munido de uma pequena lanterna, percorria discretamente os corredores para orientar o público e chamar a atenção de quem exagerava nas conversas ou no entusiasmo das sessões a dois.
Sonho de menino
João Miguel Kimak, fundador do Cine Super K, cresceu fascinado pela arte do cinema ainda nos tempos dos filmes em preto e branco. Seu sonho era possuir um cinema próprio.
Quando se mudou para Rondônia, nos anos 1970, Kimak montou seu primeiro cinema na cidade de Vilhena, em um barracão de madeira onde operava um pequeno projetor de 35 milímetros. Na época, ele e o irmão acumulavam diversas funções: bilheteiros, porteiros, projecionistas e vendedores de pipoca.
O primeiro Super K
O empresário João Miguel Kimak chegou a Boa Vista em 1976. Três anos depois, inaugurou o primeiro Cine Super K, localizado na Avenida Major Williams, com apenas uma sala de exibição.
Em 1998, o estabelecimento foi transferido para o endereço atual, na Avenida Capitão Ene Garcez, em frente à Praça das Águas.
Modernização
Em 2012, o Cine Super K migrou todo o seu equipamento analógico para o digital, tornando-se um multiplex de seis salas equipado com projetores Christie e sistema de som Dolby Surround de alta definição.
Arquitetura
A arquitetura do prédio chama a atenção de quem passa porque se diferencia da paisagem arquitetônica predominantemente quadrada e acinzentada da capital roraimense.
O Cine Super K possui contornos arredondados, paredes coloridas e temática fantástica, inspirada em elementos visuais também presentes em outro empreendimento de sucesso da família Kimak, o Acquamak, parque aquático localizado no km 475 da BR-174, entre Boa Vista e Mucajaí.
Dentro do prédio, a iluminação reduzida contribui para a criação de uma atmosfera acolhedora e descontraída, reforçando a experiência diferenciada oferecida ao público.
A resistência
Em 2024, João Miguel Kimak Júnior, atual administrador do empreendimento, afirmou em entrevista ao jornal Folha BV que, dando lucro ou não, é desejo de seu pai que o cinema permaneça em funcionamento enquanto isso for possível.
Mais do que um negócio, o Cine Super K representa a concretização de um sonho de infância que resiste às transformações do mercado cinematográfico e à forte concorrência das grandes redes de cinema.
Cine Olímpia
Há outros cinemas fora dos shoppings centers na região norte, dentro de centro culturais, como as salas de cinema do Casarão de Ideias em Manaus. Mas não há mais um empreendimento completamente dedicado ao cinema, como o Super K.
Há o Cine Olímpia, localizado em Belém, Pará, um dos cinemas de rua mais antigos do Brasil, inaugurado em 1912, durante a belle époque Amazônia. Porém, encontra-se fechado desde 2020 para obras de restauração e modernização.
Após funcionar por décadas sob administração privada, foi assumido pelo poder público em 2006 para evitar seu fechamento. Em 2012, foi reconhecido como patrimônio histórico e cultural da capital paraense.
A autora é antropóloga*.
Foto: Arquivo pessoal.
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