Fiz um artigo sobre a importância do vice antes da escolha dos vices dos atuais candidatos ao governo do Amazonas. Dou uma nova roupagem, dando os nomes dos vices e suas experiências para ajudar os candidatos ao governo do Amazonas.
A criação do cargo de vice remonta aos tempos em que era difícil fazer uma nova eleição quando o presidente da República ficava impedido de governar por muito tempo ou em definitivo. A mania se estendeu a governadores e prefeitos.
O Senado elevou ao paroxismo a escolha desses candidatos ao ócio: para cada cadeira de senador, há dois esdrúxulos suplentes. Em resumo, há no Brasil milhares de pessoas eleitas e totalmente sem função. Mas muitos têm direito a carro, motorista, mordomias e tempo de sobra para conspirar.
Quando a comunicação era difícil
Essa tradição também nasceu numa época em que a comunicação era difícil. O presidente viajava de carroça e alguém precisava ficar formalmente respondendo pelo país. Hoje, tudo mudou. Fazer uma eleição é algo quase automático, mesmo num país continental como o Brasil. As urnas eletrônicas provaram sua eficiência em pleitos sucessivos.
Em alguns anos, será possível ao eleitor votar da sua própria casa. Quando o presidente viaja, é patética a transferência de cargo. Muitos vices aproveitam e fazem fotos com parentes e correligionários ao assumir a cadeira pela primeira vez. Depois, ficam de papo para o ar. As decisões continuam nas mãos do titular.
A telefonia por satélite acabou com a necessidade de estar presente no país para poder governar. A rigor, a importância do vice hoje se resume a dois itens quando o nome é de partido diferente daquele do candidato à vaga de titular: 1) emprestar o tempo de TV e 2) eventualmente alavancar a votação pelo prestígio próprio do escolhido para vice.
Os vices para o governo do Amazonas
Os vices apresentados para o governo do Amazonas têm em Alessandra Campello, vice de Omar Aziz, a ideia de alavancar a votação, haja vista sua densidade eleitoral espelhada como deputada estadual. O vice de Roberto Cidade, Serafim Correa, leva a experiência como técnico, advogado e político, como ex-prefeito de Manaus, dando credibilidade ao titular. A vice de David Almeida, Shádia Fraxe, leva a experiência como secretária de Saúde municipal, médica com experiência no SUS e economista. O vice de Maria do Carmo, Coronel Anibal, é o menos conhecido: é do Corpo de Bombeiros e foi secretário executivo da Defesa Civil.
Em suma, os vices deixam muitas vezes de ter um papel decorativo e assumem os cargos do titular. Vejam o caso de Renato Junior, que assumiu no lugar de David Almeida. Isso sem falar nos suplentes de senadores que assumiram a titularidade: Jefferson Praia, no lugar do senador Jefferson Peres, que faleceu; João Pedro, que assumiu no lugar de Alfredo Nascimento, nomeado para o Ministério dos Transportes; e Gilberto Miranda, que assumiu no lugar de Amazonino Mendes e de Gilberto Mestrinho.
O autor é doutor em Administração Pública.*
Foto: Divulgação/imagem gerada por IA.