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A lama ainda pode ser limpa: ética, política e voto em 2026

Pode parecer que tenho senso de grandiosidade, mas sustento que os governos brasileiros não precisam de alianças espúrias e concessões…

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A lama ainda pode ser limpa: ética, política e voto em 2026


Pode parecer que tenho senso de grandiosidade, mas sustento que os governos brasileiros não precisam de alianças espúrias e concessões aos maus hábitos para assegurarem a governabilidade. Argumento que Fernando Henrique sempre utilizou para justificar a participação dos onipresentes da política nacional em suas gestões. É verdade: o Brasil dá provas, em definitivo, de que a velha elite – e olha que sou contra o uso generalizado deste termo – precisa tirar a poeira das gavetas, recolher os pertences, arrumar as malas e deixar a Capital Federal.

Este é apenas o ponto um, contudo, engana-se quem imaginar que uma renovação no quadro político nacional iria resolver, por si só, nossas pendências éticas. Este país precisa, primeiro, olhar para si, desde o dedão do pé até o último fio de cabelo. Uma revisão ética só terá validade se começar pela própria sociedade, “de baixo para cima”, como costuma falar a esquerda.

De boas intenções o inferno está cheio

Mas quando dizemos que o “país” precisa repensar-se, não nos referimos a esta coisa institucionalizada, estatal, feita de ministérios e gabinetes e nem mesmo às leis. Repensar eticamente o Brasil pressupõe uma autoanálise de cada cidadão, do mais humilde ao mais garboso dos empresários, do coroinha ao bispo, do Zé Ninguém ao Zé Montão. Ora, neste berço esplêndido dormem muitos “homens de bem” que estão omissos no processo de moralização e, já dizia o chavão popular, de boas intenções o inferno está cheio.

Com a queda de Fernando Collor foi igual: achávamos que – enfim – tudo seria diferente, o arco-íris parecia que iria até brilhar mais forte. Mas aí continuamos votando em troca de um uniforme para o time do bairro, ou no conhecido da tia do compadre, ou então… “ah, não quero saber de política”. A hora é de decidir se os últimos escândalos servirão para alguma coisa ou não.

Um banho de lama deste tamanho deveria servir, no mínimo, para oferecermos seriedade e critério ao voto que vamos dar em 2026, por mais que possamos errar. Ou então… ah, estou procurando um uniforme para o time do meu bairro.

O autor é doutor em Administração Pública*.

Foto: Divulgação/imagem gerada por IA.



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