A sabatina de Flávio Bolsonaro na TV Globo nesta noite de 28 de agosto, a apenas um mês e uma semana da eleição de 2026, não foi apenas um desfile de evasivas sobre a crise climática. Foi a constatação de que o senador carrega o mesmo DNA do pai Jair que tratou a nossa região como um balcão de negócios.
Flávio Bolsonaro mostrou aí país que pretende representar com aprofundamento a continuidade da visão apequenada que, durante anos, tentou justificar a entrega do bioma à exploração estrangeira, especialmente aos Estados Unidos, sustentada pelo delírio de que a floresta estaria prestes a ser dominada por comunistas.
Para quem vive a realidade do norte do Brasil, o discurso negacionista do candidato da extrema direita soa como o eco de um projeto de ruína.
O fantasma da boiada e a asfixia do bioma
Não há como o eleitor esquecer a tragédia ambiental patrocinada pelo então ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles.
Enquanto o país, e muito particularmente o Amazonas, agonizava e contava diariamente seus milhares de mortos na pandemia de covid-19, a ordem em Brasília era escancarada: “passar a boiada” na legislação.
A passagem de Bolsonaro pelo poder, que Flávio sonha repetir, flertou sem pudor com o crime organizado, culminando no revoltante episódio do contrabando de madeira.
Em paralelo, orquestraram a sabotagem para falir o financiamento internacional do Fundo Amazônia, asfixiando os recursos vitais da preservação.
Sangue ianomâmi e o deboche da nossa logística
A política de devastação custou vidas humanas.
A liberação de terras indígenas para a invasão de garimpeiros gerou uma crise humanitária que empurrou o pai de Flávio Bolsonaro para os bancos do Tribunal Penal Internacional sob a acusação de genocídio dos ianomâmis.
Enquanto isso, nossa logística era tratada com deboche.
O ministro Tarcísio de Freitas, que neste momento deve se reeleger no comando da maior economia do país, pavimentou a BR-319 apenas com promessas não cumpridas.
Aí mesmo tempo, o vice-presidente de Bolsonaro, o “amazonense” Hamilton Mourão, soltou a bufa fanfarrona de que comeria sua boina de general se a estrada não saísse da lama. A rodovia segue intrafegável, e a boina continua intacta no armário.
O ataque voraz ao polo industrial
A hostilidade não poupou a nossa economia.
O ministro Paulo Guedes atuou como inimigo declarado, tentando enfraquecer a ZFM a todo custo.
No âmbito local, o comando da Suframa foi entregue a Alfredo Menezes Júnior, compadre de Jair, que tentou instaurar uma verdadeira junta militar na autarquia, virando as costas para o setor produtivo de eletrônicos, termoplásticos e duas rodas de Manaus.
Aqui, ideologia não enche prato nem pavimenta estrada.
O site BNC Amazonas exalta quem trabalha pela região e não perdoa quem lhe deseja o mal.
Flávio Bolsonaro, como o pai, não tem respostas para o clima porque representa a continuidade de um projeto político que sempre apostou na asfixia da Amazônia para facilitar a exploração de suas riquezas naturais.
E seus habitantes originários que se explodam.
*O autor é jornalista da Amazônia.
Foto: imagem gerada por IA