O domingo, dia 4 de outubro, amanhecerá como outro dia qualquer, independente e involitivamente ao nosso querer, o sol estará brilhando acima das nuvens, quer o vejamos ou não… Acordaremos para o cumprimento de um dever cívico da maior importância. Iremos às urnas, para mantermos ou modificarmos o quadro nominativo dos nossos mandatários.
No dizer de Confúcio, “há três maneiras de agir sabiamente: a primeira é pela meditação, que é a mais sábia; a segunda é pela imitação, que é a mais fácil e a terceira é pela experiência, que é a mais amarga”. Calha, perfeitamente bem, o velho pensamento do antigo sábio, ao nosso caótico quadro político atual.
Lamentavelmente, não é próprio nosso, enquanto cidadãos, a meditação… O homem do século 21, dada a sua pressa, acha que meditar é perda de tempo. Sobraria, por sua facilidade, a imitação, que também é regurgitada amiúde, mas de forma inadequada, pois é mais fácil imitar o néscio do que ao sábio. Por fim, após apanhar, na expressão da palavra, por diversas e diversas vezes, tendemos a nos tornar experiente, pois o empirismo se não corrige a falta anterior, ao menos, previne a reincidência.
A escolha dos candidatos e a experiência do eleitor
O quadro está posto. Serão doze candidatos ao cargo de presidente da República; sete concorrentes ao cargo de governador do Estado; nove pleiteantes às duas vagas do Senado Federal; cento e trinta e oito inscritos, lutam pelas oito vagas de deputado federal e outros duzentos e noventa e quatro aspirantes querem um dos assentos disponíveis na Assembleia Legislativa, ( a palavra assembleia não tem mais acento).
O processo foi longo, lento e desgastante. O que começou em julho, com as convenções partidárias, encerrar-se-á em 4 de outubro, peremptoriamente, para os futuros legisladores e quiçá, atendendo ao “agir sabiamente de Confúcio, através da meditação”, reserve-se o dia 25 de outubro, derradeiro domingo do mês, para se confirmar, em segundo turno, a vitória de alguns candidatos majoritários que chefiarão o Poder Executivo da União, do nosso Estado e de outros Estados Membros da República Federativa do Brasil.
Os recursos gastos na disputa pelo poder
Se a “dinheirama” dissolvida no processo, seja pelos comitês financeiros, seja pelos recursos próprios dos candidatos ou ainda através das doações de pessoas físicas e jurídicas fosse destinada à caridade, teria minorado a dor e o sofrimento de muitos flagelados. Quantos recursos financeiros jogados fora para sustentar a vaidade pessoal, a luta pela mantença ou pelo acesso ao poder, para financiar a compra da “consciência” do voto, que deveria ser voluntário para quem dá e para quem recebe.
Noticiou-se compra de prefeitos, como se fantoches fossem, e cooptação de líderes para que o povo siga a sina da reeleição, tão deletéria no processo democrático. À guisa de conclusão, resta apenas a ratificação de que, só e somente só no dia 4 de outubro, o poder estará na mão do eleitor.
O nosso voto será tão bom quanto o nosso candidato. Não importa se o nosso candidato será o eleito. Pois, entre as vitórias política e eleitoral, é preferível votar num honesto e capaz, ainda que não eleito, do que eleger ou reeleger um profissional mercenário, que fará da sua “procuração” um instrumento de barganha a serviço dos governantes e/ou dos poderosos de plantão.
O autor é doutor em Administração.*
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