Pular para o conteúdo

Paulo Fiorilo e a política como vocação

Há uma diferença enorme entre viver da política e viver para a política. A distinção é de Max Weber, formulada…

4 min de leitura
Compartilhar: WhatsApp X
Paulo Fiorilo e a política como vocação


Há uma diferença enorme entre viver da política e viver para a política. A distinção é de Max Weber, formulada há mais de um século, mas continua sendo uma boa régua para observar aqueles que fazem da atividade pública sua profissão. Paulo Fiorilo pertence, a meu ver, ao segundo grupo.

Digo isso não pela amizade, pela proximidade política ou pela conveniência eleitoral. Digo porque sua trajetória permite fazer essa afirmação. Paulo não fez da política um caminho para o enriquecimento pessoal. Fez dela uma forma de participação na vida pública, marcada pela defesa de convicções que o acompanham há décadas. Em tempos nos quais a política aparece tantas vezes associada ao oportunismo, ao enriquecimento, à troca de favores e à transformação do mandato em patrimônio pessoal, isso não é pouca coisa.

Weber dizia que quem escolhe a política como vocação precisa conviver com duas exigências: a ética da convicção e a ética da responsabilidade. A primeira impede que os princípios sejam negociados conforme a conveniência do momento. A segunda obriga o político a responder pelas consequências concretas de suas decisões.

Convicções que aparecem no mandato

Vejo muito da primeira em Paulo Fiorilo. Ele possui convicções. Algumas delas podem desagradar adversários, como é próprio da democracia, mas dificilmente alguém poderá acusá-lo de esconder aquilo em que acredita. E suas convicções aparecem no mandato.

Na Assembleia Legislativa, Fiorilo fez da educação, da habitação, dos direitos sociais, do desenvolvimento regional e da fiscalização do Executivo algumas de suas prioridades. Em seu primeiro mandato, foi autor da lei que autorizou o governo paulista a comprar diretamente vacinas contra a Covid-19, num dos momentos mais dramáticos da história recente do país.

Também assumiu uma luta que deveria constranger qualquer sociedade que se pretenda civilizada: o combate ao trabalho análogo à escravidão. Fiorilo coordena na Alesp a frente parlamentar dedicada ao tema, articulando o Legislativo com instituições como o Ministério Público do Trabalho e o Conselho Nacional de Direitos Humanos.

Há coerência nisso. Defender trabalhadores submetidos a condições degradantes, enfrentar a aporofobia e a arquitetura hostil nas cidades, defender a escola pública e cobrar transparência do poder não são temas desconectados. Pertencem a uma determinada concepção de sociedade e, sobretudo, de política.

Da mesma maneira, fiscalizar governos faz parte do mandato parlamentar. Em 2025, Fiorilo levou ao Ministério Público uma representação para que fossem apurados possíveis atos de improbidade administrativa envolvendo o governador de São Paulo. Pode-se concordar ou discordar de suas conclusões, mas não se pode retirar do Parlamento a obrigação de investigar, perguntar e fiscalizar quem administra o dinheiro e o patrimônio públicos.

O mandato não é propriedade

Talvez seja justamente aí que esteja uma qualidade cada vez mais rara. Paulo não trata a política como negócio. Não construiu sua vida pública a partir da ideia de que um mandato concede privilégios ao seu ocupante. Para ele, o mandato tem outro sentido: é instrumento de representação, fiscalização e defesa de determinadas causas.

Por isso gosto da expressão de Weber: a política como vocação. Vocação, aqui, não significa santidade. Políticos não precisam de santificação, e cidadãos não deveriam santificá-los. Precisamos julgá-los pelo que fazem, pelas causas que defendem, pela maneira como exercem o poder e, principalmente, pela relação que estabelecem com a coisa pública. É por esses critérios que julgo Paulo Fiorilo.

E é também por isso que considero importante sua permanência na Assembleia Legislativa por mais quatro anos. Não porque a democracia dependa de homens providenciais. Ela não depende. Mas porque depende, sim, de homens e mulheres decentes, comprometidos com a vida pública e capazes de compreender que mandato não é propriedade.

Paulo não vive da política. Paulo vive para a política. E há momentos na história em que essa diferença vale muito. Por isso, dia 04 de outubro votarei no Paulo, o estado de São Paulo precisa de boas pessoas na vida pública.

O autor é sociólogo.*

Foto: Arquivo pessoal.



BNC Amazonas

Últimas notícias