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EXCLUSIVO Escritório de Flávio recebeu R$ 1,3 milhão de sócio oculto do Faraó dos Bitcoins

Por Flávio VM Costa e Juliana Dal Piva O escritório de advocacia do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) recebeu…

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EXCLUSIVO Escritório de Flávio recebeu R$ 1,3 milhão de sócio oculto do Faraó dos Bitcoins


Por Flávio VM Costa e Juliana Dal Piva

O escritório de advocacia do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) recebeu R$ 1,32 milhão por atuar na defesa de Tunay Pereira Lima, acusado pelo Ministério Público Federal de ser sócio de Glaidson Acácio dos Santos, mais conhecido como o Faraó dos Bitcoins. Flávio recebeu o valor mesmo antes de apresentar um habeas corpus, único ato dele identificado no processo.

O esquema liderado pelo Faraó dos Bitcoins consistia em uma pirâmide financeira conduzida pela GAS Consultoria disfarçada de investimento em criptomoedas. A empresa prometia lucros fixos absurdos de 10% ao mês sob a alegação de que o dinheiro dos clientes era aplicado em operações bem-sucedidas com bitcoins e ativos digitais.

Tunay foi apontado como sócio e braço-direito do Faraó dos Bitcoins e os dois foram os principais alvos da Operação Kryptos, que investigou as fraudes financeiras.

Entre 2015 e 2021, o esquema movimentou cerca de R$ 38 bilhões antes de ser desarticulado pela Polícia Federal. A lista de credores da massa falida da GAS Consultoria passa de 77 mil nomes, entre pessoas e empresas. Mas há estimativa de investigadores ligados ao caso, de que até 300 mil pessoas podem ter sido lesadas pelo esquema.

O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro | Crédito: Agência Senado
O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro | Crédito: Agência Senado

Como o escritório de advocacia de Flávio foi pago

Responsável pela defesa de Tunay Pereira Lima, o escritório de advocacia Gavioli, Viola & Gomes conseguiu obter junto à Justiça Federal do Rio de Janeiro a liberação de R$ 12 milhões do total de recursos apreendidos de seu cliente na Operação Kryptos, a título de pagamentos de honorários advocatícios.

De acordo com especialistas consultados pela reportagem, a decisão tem amparo na lei 8.906/1994, conhecida como Estatuto da Advocacia. Ela prevê destinar parte dos recursos apreendidos de um réu em uma ação penal para pagamento de honorários advocatícios.

No dia de 13 de março de 2024, a juíza federal Rosália Monteiro Figueira, da 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, liberou R$ 12 milhões o escritório Gavioli, Viola & Gomes. Ela deu cumprimento a uma decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2)

Os repasses ao escritório Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia ocorreram nos dias 19 de março de 2024, quando Gavioli & Viola pagou R$ 1 milhão. Três dias depois, em 22 de março, novo pagamento de R$ 320 mil. O núcleo investigativo do ICL Notícias teve acesso a comprovantes bancários que confirmam as transações.

De acordo com os autos acessados pela reportagem, a atuação de Flávio Bolsonaro se resume a assinar um pedido de habeas corpus junto ao TRF-2 para tentar soltar Tunay, em 22 de abril de 2024, um mês depois de ter recebido os pagamentos. A reportagem não localizou outros atos do senador e candidato à Presidência da República na ação penal. Depois de incluído no processo, Flávio não peticionou, não pediu sustentação oral nem juntou memoriais. Vinte dias depois veio a decisão pelo indeferimento deste habeas corpus.

Glaidson já foi condenado a 19 anos e 2 meses pela Justiça estadual do Rio, na Operação Novo Egito, por organização criminosa e corrupção ativa, em sentença publicada em outubro de 2025. Na ação federal da Kryptos, o MPF já pediu condenação nas alegações finais.

Procurado para explicar sua atuação como advogado de Tunay Pereira Lima, o candidato Flávio Bolsonaro não respondeu aos questionamentos.





ICL

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