Pular para o conteúdo

A Gente Vai Continuar: democracia e resistência

Recebo de Portugal, do amigo Jorge Bento, também leitor destas crônicas, a música e a letra de uma canção de…

5 min de leitura
Compartilhar: WhatsApp X
A Gente Vai Continuar: democracia e resistência


Recebo de Portugal, do amigo Jorge Bento, também leitor destas crônicas, a música e a letra de uma canção de Jorge Palma (1950-21/09/2026), cantor português recém falecido, e que tomei como título para esta reflexão e conversa com todos.

Assim como a Canção italiana “Bella Ciao”(Adeus Querida), que se tornou um hino universal de repúdio ao autoritarismo e de resistência ao fascismo, e “Para Não Dizer Que Não Falei de Flores”, de Geraldo Vandré, que anima todos os nossos protestos políticos contra a Ditadura e à Tirania, no Brasil, a Canção de Jorge Palma, “A Gente Vai Continuar” (1991), diz muito para nós em razão do momento que acreditamos ser possível impedir a última forma do Golpe planejado no governo anterior, agora urdido a partir da conquista do poder pelo voto. 

E digo isso, não por prazer ou vontade de ofender, não para menosprezar adversários políticos que podem pensar diferente, se assim o quiserem, mas por dever de coerência e por tudo que pregam os que já foram eleitos no último pleito, formando uma maioria expressiva de extrema direita, que deterá a hegemonia no Parlamento; e, se vencedora do pleito no Segundo Turno, elegendo o Presidente da República, dominará o Poder Executivo com um Oligarca e ajustará a seus interesses o Poder Judiciário, tornando-o um apêndice dos outros poderes: vão Reformar a Constituição Soberana de 1988, feita pelos representantes do povo, especificamente eleita para isso,  suprimindo Direitos Fundamentais e, portanto, Cláusulas Pétreas com as quais não concordam, o que caracteriza um “Golpe de Estado Perfeito”, tal qual os outros intentados, sem sucesso.

A Constituição de 1988 e os direitos fundamentais

O povo não está sendo enganado, pois o candidato a Presidente, que obteve a maioria dos votos no Primeiro Turno, está verbalizando pontos de honra de seu programa de governo. É nessa Constituição Cidadã, que será violada por ele e seus apoiadores, que estão inscritas todas as nossas conquistas de direitos. O Candidato da Extrema Direita está dizendo que o seu Governo vai fazer o que já fizeram todos os Autocratas eleitos pelo mundo afora com esse mesmo programa, que machuca as Democracias.

As consequências começam a aparecer. Aqui, o tom da campanha já revela o viés autoritário explícito do que será no seu programa oficial: mudanças no sistema de justiça infringindo cláusulas pétreas; fim dos direitos trabalhistas com a prevalência das negociações individuais sobre as negociações coletivas, o que acabará com os sindicatos e associações de categoria e classe; fim dos direitos conquistados pelas minorias, além do “tesouraço” prometido para a economia e que satisfaz à ganância dos poderosos, às custas do congelamento de salários, redução de benefícios e desvinculações constitucionais para saúde e educação.

A gente vai continuar: a defesa da democracia e da solidariedade

O Candidato entende que a vontade momentânea do povo, expressa nas urnas, por si só, anula as conquistas universais de direitos de diversas gerações, esmagando, assim, as minorias e retirando-lhes os direitos constitucionais. É por tudo isso que a Canção de Jorge Palma importa:

A Sociedade Solidária, a Justiça e a Igualdade não são desejos de lunáticos. Importa firmeza de caráter, destemor nas horas em que tudo parece sair do controle sob o ataque das forças demolidoras de quaisquer avanços sociais expressivos. Não quer dizer que estejamos sempre com a razão em nossas estratégias, que as nossas ideologias devam ser obrigatoriamente iguais, mas o bom senso que nos guia, nossos princípios e nossa ética não nos permitem tergiversar e aceitar o infortúnio.

O triunfo do que intrinsecamente é mau não pode ser aceito nas relações humanas como digno. E, quando emana de movimentos que envolvem um largo contingente de povo ensandecido ou até da humanidade inteira, o resultado já é conhecido: tirania!

Enquanto houver estrada, a resistência continua

O que nos prometem são coisas escabrosas! Quem tem um pingo de humanidade correndo em suas veias ficaria, como fiquei, diante da propaganda eleitoral de um certo candidato a Senador, ao lado, do também candidato à Presidente, defendendo a morte dos que eles chamam de “meliantes”, sem julgamento ou julgamento sumário e a “castração química de estupradores”, sem dó nem piedade.

Tudo isso na frente de crianças, adultos e velhos, que votaram e votarão de novo, como meio de sanear a violência. Cuidado! Vamos: enquanto houver estrada, ventos, rios e mar, vamos caminhar!

O autor é jornalista profissional.*

Foto: Divulgação/imagem gerada por IA.



BNC Amazonas

Últimas notícias